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No Ateliê

 

 

 

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Há 25 anos o meu querido amigo e sensível poeta Wilson Rocha, critico de juízo infalível sobre pintores e quadros, escreve introduções para catálogos de Inos Corradin.  Em sua ultima introdução (1985), mestre Wilson Rocha relembra o entusiasmo que sentiu um quarto de século atrás diante da pintura daquele “brasileiro nascido na Itália”, cujos quadros sobre a Bahia, onde por certo tempo viveu, “misturam-se às ruas antigas, às igrejas barrocas, presos pelo fascínio das tradições, da cor, da imutabilidade da vida ...”.  O entusiasmo do critico eminente não parou de crescer ao longo dos anos: “Pintor de energia indomável, no ápice de sua arte criativa ...”  Eu, que não sou critico, ma admirador sincero que se comove diante da beleza da arte de Inos, sinto-me à vontade de apontar o ambiente geral de romantismo difuso que transpira de seus quadros, ultrapassando a angústia e a solidão, uma flor, um barco, um cavalinho de pau, “que interrompem o desespero da condição humana”, em ultima análise, o tema fundamental de sua arte.  A pintura de Inos Corradin é presente que mistura infância e magia, entre luzes  e sombras que nos envolvem e nos fazem sonhar ...  Quadros que nos obrigam a uma contemplação demorada, no enlevo da beleza que a sabedoria e as experiências de vida suscitam.  A matéria misteriosa que o artista utiliza para criar o seu mundo real e mágico nos envolve e fascina.  De um menino, vasos, a casa branca, as dunas, desabrocha a poesia, desponta a primavera de ternura: atua como se fôssemos parte de sua criação.

 

 

                                                                                        Jorge Amado